Saindo da lógica do consumo para a lógica do Impacto Territorial.

Coca-Cola: o legado de uma marca no território
A Coca-Cola vende refrigerantes ou transforma os territórios onde está presente?
Mais do que isso: quando uma marca transforma um território, essa ocupação faz sentido? Ela contribui para o desenvolvimento social ou apenas estimula um consumo que termina na compra?
Essa é a pergunta que o marketing precisa começar a fazer.
Durante muitas décadas, o principal indicador de sucesso foi simples: quanto vendeu? Campanhas, investimentos e estratégias eram planejados para ampliar participação de mercado, aumentar o consumo e fortalecer marcas.
Mas a forma de consumir mudou.
O consumidor está cada vez mais atento ao impacto das organizações. Ele quer saber de onde vem o produto, como ele é produzido, qual é o destino da embalagem e qual contribuição aquela empresa oferece para a sociedade e para o território onde atua.
É verdade que vivemos um tempo de consumo acelerado. A internet, a tecnologia, os aplicativos de entrega e as estratégias para compras instantâneas tornam o consumo mais rápido do que nunca.
Ao mesmo tempo, cresce uma consciência coletiva: não basta produzir mais. É preciso produzir melhor.
Quanto desse investimento milionário em publicidade incentiva um consumo cujo resultado será mais resíduos, mais desperdício e mais pressão sobre o meio ambiente?
Quanto daquilo que produzimos acaba em aterros, rios ou oceanos?
O que acontece com o que não foi vendido?
Essas perguntas não pertencem apenas à área ambiental. Elas também deveriam fazer parte da estratégia de marketing.
Foi Aristóteles quem escreveu que "a cidade nasce para tornar possível a vida, mas existe para tornar possível a vida boa."
Se a finalidade da cidade é promover uma vida melhor, então toda organização que ocupa esse território também deveria ser avaliada pela forma como contribui para esse objetivo.
Talvez o futuro do marketing não esteja apenas em conquistar consumidores.
Talvez esteja em conquistar a confiança de um território.
Porque uma marca não ocupa apenas espaço nas prateleiras.
Ela ocupa ruas, bairros, cidades e comunidades.
E a pergunta que ficará para as próximas décadas talvez não seja "quanto vendeu?", mas "o que essa marca mudou neste lugar?"



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